Zema diz que terá diálogo caso Lula seja eleito e apresente propostas para 'Brasil avançar'

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em caso de vitória do ex-presidente Lula no próximo do domingo (30), o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), afirmou que está disposto a dialogar com o petista. Para isso, diz, Lula precisa apresentar propostas que façam o Brasil "avançar".

Zema foi reeleito no primeiro turno das eleições deste ano e agora atua como um dos coordenadores da campanha do presidente Jair Bolsonaro (PL), que também busca a reeleição.

"Assim que o presidente for eleito ele deve apresentar as suas propostas, coisa que o candidato Lula ainda não fez, e essas propostas é que vão propiciar esse clima de dialogo", disse o mandatário do governo mineiro, em entrevista à CNN Brasil, nesta sexta-feira (28).

"Se for de retrocesso, da minha parte não terá diálogo não. Agora, se for para o Brasil avançar, nós estaremos totalmente abertos, eu tenho certeza."

Em Minas, no primeiro turno, Lula venceu Bolsonaro. O petista obteve 48,29% dos votos válidos dos mineiros, contra 43,60% do adversário. Nacionalmente, a contagem ficou em 48,43% para Lula contra 43,20% para Bolsonaro.

Minas é o segundo maior colégio eleitoral brasileiro e o resultado no estado é considerado fundamental na corrida ao Palácio do Planalto.

Apesar da abertura ao diálogo em caso de vitória no PT, Zema, durante a entrevista, falou que considera possível que os eleitores que votaram nele e no ex-presidente Lula, no primeiro turno, agora passem a votar em Bolsonaro, na segunda rodada. Ele criticou na maior parte do tempo o partido.

"Nós mineiros somos diferentes do restante do país, nós tivemos aqui uma tragédia de governo petista", afirmou ao avaliar a possibilidade de migração de votos de Lula para Bolsonaro no estado.

"Na correria do dia dia, muitas vezes, nós não somos capazes de lembrar fatos graves que aconteceram conosco", disse, fazendo referências à gestão econômica do governo Dilma Rousseff e a escândalos de corrupção ligados ao PT.

Questionado sobre suas divergências com Bolsonaro, candidato que recebe seu apoio, Zema citou a gestão da pandemia da Covid. Segundo ele, Minas teve uma postura diferente do governo federal e conduziu a crise sanitária levando em conta as avaliações da ciência.

Zema citou ainda a presença de familiares na política. O governador mineiro disse respeitar, mas que prefere seguir caminho diferente. "Eu não misturo questões de família, nem com negócio e nem com governo."

O mineiro afirmou ainda ter uma trajetória na área de gestão de empresas, experiência que Bolsonaro não possui.

Segundo a última pesquisa Datafolha, em Minas Gerais, Lula marca 48% das intenções de votos totais ante 43% de Bolsonaro. O total de indecisos é de 3%, e os brancos e nulos, 5%.

Considerando a margem de erro, há um empate técnico entre Lula e Bolsonaro.

A pesquisa Datafolha, contratada pela Folha e pela TV Globo, ouviu 1.009 pessoas no estado de Minas Gerais, de terça (25) a quinta (27). A margem de erro é de três pontos para mais ou para menos. O levantamento foi registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com o número 04208/2022.