Zico está entre as vítimas do dono da JJ Invest, que patrocinava clubes como o Vasco

Rennan Setti
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Divulgação / Agência O Globo
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RIO - A prisão de Jonas Jaimovick, dono da empresa JJ Invest, ocorre mais de um ano após a Justiça Federal do Rio de Janeiro ter decretado sua prisão preventiva. Entre suas vítimas, estavam atletas e celebridades como os ex-jogadores de futebol Zico e Júnior. Ele estava foragido e é acusado de ter desaparecido com R$ 170 milhões de clientes em esquema fraudulento de investimentos.

Jaimovick foi preso na manhã desta segunda-feira por policiais da Delegacia de Defraudações (DDEF). Sua empresa não tinha autorização para funcionar. Mesmo irregular, a JJ Invest havia conquistado status de mecenas do futebol carioca, patrocinando mais de uma dezena de clubes, entre eles o Vasco — que rompeu o contrato de R$ 1 milhão após Jaimovick não ter pago a parcela de janeiro do ano passado.

O empresário começou a negociar patrocínios com clubes de futebol de pequeno porte, ex-jogadores e federações. Presenteou ex-jogadores do Flamengo com dezenas de anéis de ouro. Fechou parceria com o clube de Zico, o CFZ, e convenceu o ídolo rubro-negro a investir na JJ Invest. Como no caso de outros investidores lesados, Zico não recebeu o dinheiro de volta.

Eventos relacionados ao Flamengo eram terreno propício para que Jaimovick atraísse atletas para sua empresa. Júnior, outro ídolo rubro-negro, o conheceu em um desses eventos, patrocinado pela JJ Invest. O comentarista e ex-jogador disse ter sido convencido a investir porque Jaimovick passava credibilidade "por estar há mais de dez anos no mercado". Júnior contou que fez um aporte no fim de 2018.

A JJ Invest também deixou na mão clubes do futebol carioca, no qual havia adquirido recentemente status de mecenas. Depois de ter deixado de pagar o patrocínio do Vasco, a JJ Invest deu calote em times menores que patrocinava, como Madureira e Bangu.

No caso do Madureira, a JJ Invest deixou de pagar uma parcela de R$ 100 mil do patrocínio que deveria honrar no fim de janeiro de 2019. Já o Bangu rompeu o contrato de patrocínio com a JJ Invest porque Jaimovick não pagou metade do valor combinado. O presidente, Jorge Varela, não informou o valor.

No Goytacaz, a empresa se comprometeu a pagar até os salários da comissão técnica, que era comandada pelo ex-jogador do Flamengo Athirson, ao custo mensal de R$ 30 mil. Após a equipe ter sido dispensada, o pagamento se daria em troca da exposição da marca no uniforme do clube. Mas a JJ Invest também atrasou os pagamentos.

Retornos acima dos praticados no mercado

Paralelamente ao patrocício de clubes, a JJ Invest atraía aplicadores com retornos muito acima dos praticados no mercado regulado, com ganhos entre 5% e 10% ao mês. Isso apesar de a empresa possuir estrutura precária.

A maioria dos clientes sequer tinha contrato assinado, e os depósitos eram feitos diretamente nas contas de Jaimovick ou da JJ. Muitas vezes, os contatos se davam unicamente por meio de WhatsApp.

O empresário desapareceu em fevereiro de 2019 com pelo menos R$ 170 milhões de 3 mil clientes, entre eles celebridades, após reportagens do GLOBO mostrarem que a empresa era investigada pela Polícia Federal e pela própria Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Ele é acusado de violar três artigos da chamada Lei do Colarinho Branco, cujas penas podem chegar a 22 anos de prisão em caso de condenação.

Segundo investigadores, Jaimovick operava "sem a devida autorização, ou com autorização obtida mediante declaração falsa, instituição financeira, inclusive de distribuição de valores mobiliários ou de câmbio", e é acusado de "gerir fraudulentamente instituição financeira" e de "apropriar-se (...) de dinheiro, título, valor ou qualquer outro bem móvel de que tem a posse, ou desviá-lo em proveito próprio ou alheio."

As penas previstas são de reclusão entre seis e 22 anos, além de multa.