Nova embarcação oceanógrafa estende pesquisa por mares inexplorados da África

Roma, 30 mar (EFE).- Uma nova embarcação oceanográfica sob a bandeira da ONU explorará alguns dos mares menos conhecidos do planeta ao redor do continente africano, afirmou nesta quinta-feira à Agência Efe o responsável da FAO Manuel Barange.

O diretor de Políticas de Pesca e Aquicultura da Organização da ONU para a Alimentação e a Agricultura (FAO) destacou que nesta próxima etapa a atividade será estendida pela África, começando pelo Marrocos e descendo até a África do Sul, para depois subir pelo litoral oriental.

O novo navio foi projetado por uma empresa norueguesa e construído em um estaleiro espanhol com um custo de US$ 80 milhões.

Propriedade da agência norueguesa de cooperação ao desenvolvimento, a embarcação leva o nome do médico Fridtjof Nansen, um naturalista e diplomata norueguês que obteve o Prêmio Nobel da Paz e desenvolveu alguns dos primeiros equipamentos científicos modernos para estudar o oceano.

Barange detalhou que este navio é maior que os anteriores e pode abrigar a bordo até 30 cientistas, ao mesmo tempo que está mais avançado tecnológicamente.

Seus equipamentos incluem um de sonar de última geração, um centro de controle remoto de veículos submarinos e um laboratório de pesquisa climática para tentar refletir as características do oceano do futuro, além de ser possível fazer uma análise sobre o impacto da mudança climática através de organismos coletados.

"Trata-se de coletar informação de base para poder comparar as mudanças que esperamos que ocorram no meio ambiente. Os mares africanos são um dos menos estudados do planeta", apontou o responsável.

Outro objetivo, disse, é apoiar a gestão pesqueira sustentável dos países recolhendo dados sobre o estado de seus recursos e melhorando suas capacidades técnicas.

"Muitos países africanos não têm embarcações oceanográficas e nem recursos para fazer as campanhas", uma falta de infraestrutura que complica a gestão baseada na ciência, acrescentou Barange.

O programa Nansen, exemplo de cooperação entre Noruega e a FAO durante mais de quatro décadas, também estará marcado nesta nova fase pelo estudo da poluição.

Concretamente a embarcação recolherá dados sobre o impacto que têm nas populações marinhas e na pesca as explorações de petróleo no mar.

No ano passado, o anterior Dr. Fridtjof Nansen, o único navio de pesquisa com bandeira da FAO que pode navegar livremente e sem impedimentos, obteve informações sobre os microplásticos no sul do Oceano Índico.

Outro especialista da FAO Pedro Barros, ressaltou que este tipo de pesquisa serve para melhorar a gestão dos países e assegurar que estes recebem os conhecimentos e sistemas "para poder conduzir seus próprios recursos para seus próprios interesses".

Na sua opinião, um efeito secundário foi a cooperação como companheiros de pessoas de diferentes países que até então se viam como inimigos.

O navio passou por Namíbia, Angola e África do Sul, onde a pesquisa científica contribuiu para a "construção de confiança" após uma relação conflituosa, enquanto Marrocos, Mauritânia e Senegal melhoraram a gestão conjunta da sardinha e outras pequenas espécies vulneráveis, segundo Barros.

Avanços que se unem a outros no terreno científico como a avaliação de populações de peixes, as características do oceano e do leito marinho. EFE