ZONA ELEITORAL-Bolsonaro tenta puxar Lula para o ringue dos costumes

Presidente Jair Bolsonaro

"Zona Eleitoral" é uma coluna de notas sobre as eleições gerais deste ano, produzida pelos jornalistas da Reuters no Brasil

17 Ago (Reuters) - Pelo segundo dia consecutivo, o presidente Jair Bolsonaro (PL) usou o Twitter nesta quarta-feira para tentar ligar o PT à liberação das drogas e ao aborto, apesar de os temas não estarem sendo defendidos na campanha pelo partido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), líder nas pesquisas eleitorais.

A publicação reforça a estratégia de Bolsonaro de tentar trazer a campanha para o ringue dos costumes e da retórica antiesquerdista para cortejar um público conservador e religioso e minar Lula. O tuíte lista ainda países que têm o apoio ou simpatia do PT, como Cuba, Venezuela e Nicarágua, e que são questionados por suas credenciais democráticas.

Lula tem reagido à ofensiva de Bolsonaro. O PT já gravou vídeos para desmentir o rumor, endossado por Bolsonaro, de que o partido defende fechar igrejas. "Eu não quero fazer uma guerra santa neste país", disse Lula, que é católico.

COMBUSTÍVEIS

Pesquisa do instituto Quaest para a Genial Investimentos divulgada nesta quarta-feira mostrou que Bolsonaro (PL), que tenta a reeleição, é apontado como responsável pela queda recente nos preços dos combustíveis por 42% dos entrevistados.

Na sequência, bem distante, 9% atribuem a queda à Petrobras, que define os preços cobrados nas refinarias, enquanto 8% indicam os governadores como responsáveis, 5% apontam a queda do dólar, 5% responsabilizam a queda do barril de petróleo no mercado internacional, 3% o mercado internacional, 1% os donos de postos de combustíveis, 1% todos citados e 26% não souberam ou não responderam. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais.

PIORA MENOR NA ECONOMIA

O levantamento do Quaest apontou ainda uma queda na percepção de piora do cenário econômico, com 52% avaliando que a economia piorou. No levantamento anterior, divulgado no início do mês, eram 56% os que tinham essa avaliação, enquanto em julho eram 64%.

Para 23% a economia melhorou, contra 20% na pesquisa anterior, enquanto que 24% entendem que ficou como estava, ante 23%.

REJEIÇÃO DE BOLSONARO FICA ESTÁVEL

Em outra frente, a pesquisa mostrou estabilização da rejeição ao nome de Bolsonaro, após alguma melhora. De acordo com o levantamento, 55% rejeitam o presidente, mesmo patamar anterior. Em junho a rejeição era de 60% e, em fevereiro, estava em 66%.

Ciro Gomes (PDT) é o segundo mais rejeitado, segundo a Quaest, com 52%, ante 53% na pesquisa anterior. Lula é rejeitado pelos mesmos 44% que afirmavam não votar nele de jeito nenhum na sondagem anterior.

Para a corrida ao Palácio do Planalto, a Quaest mostrou cenário estável, com Lula mantendo os 12 pontos de vantagem sobre Bolsonaro.

BOLSONARO? NADA

Em entrevista na manhã desta quarta à Rádio Super de Minas Gerais, os jornalistas pediram a Lula que definisse Bolsonaro em uma única palavra e o petista disse: "Nada".

O ex-presidente também foi perguntado sobre suas definições sobre Ciro e Simone Tebet (MDB). No primeiro caso, afirmou ser injusto definir alguém em apenas uma palavra --embora em outro momento tenha dito que não levaria o pedetista a sério--, no segundo disse não conhecer a senadora pelo Mato Grosso do Sul para poder falar bem ou mal dela.

(Por Eduardo Simões)