ZONA ELEITORAL-Bolsonaro diz que vai ganhar no 1º turno, contradizendo pesquisas

Bolsonaro faz campanha em Esteio, no Rio Grande do Sul

("Zona Eleitoral" é uma coluna de notas sobre as eleições gerais deste ano, produzida pelos jornalistas da Reuters no Brasil)

2 Set (Reuters) - O presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL) afirmou nesta sexta-feira que vai ganhar a disputa pelo Palácio do Planalto em primeiro turno, em fala que contradiz as pesquisas de intenção de voto recentemente divulgadas.

"Eu não acredito em pesquisas, o Datafolha ontem já disse que vai ter segundo turno. Se falou que vai ter segundo turno, é que não vai ter, nós vamos ganhar no primeiro turno. É fácil decidir, o agro está conosco, os cristãos estão conosco. O outro lado fala barbaridade de religiões", disse ele, em entrevista a jornalistas na Grande Porto Alegre.

Na véspera, pesquisa Datafolha mostrou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) oscilou 2 pontos para baixo e registra 45% das intenções de voto, enquanto Bolsonaro se manteve estável com 32%, numa sinalização de maior possibilidade de a corrida presidencial ser decidida apenas no segundo turno.

SE VIRA

Enquanto isso, ciente da nova fase da campanha eleitoral a um mês das eleições, a equipe do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lançou nas redes sociais o desafio "se vira nos 30", referência a quadro de programa dominical popular, o Domingão do Faustão. A ideia é que cada participante cumpra "missões", tanto na internet como na vida real.

"Nosso se vira nos 30 começa hoje. Faltam apenas 30 dias para as eleições. Mude sua foto de perfil em apoio ao #BrasilDaEsperança, converse com as pessoas e vamos juntos reconstruir o país! #EquipeLula", diz postagem no perfil oficial do ex-presidente.

Lula lidera as pesquisas de intenção de voto, mas tem encarado tendência de redução na diferença entre ele e Bolsonaro.

SOLIDARIEDADE A CRISTINA

Lula manifestou solidariedade e alívio pela vice-presidente da Argentina, Cristina Kirchner, ter escapado ilesa na noite de quinta-feira depois que um homem apontou contra ela uma arma carregada que não disparou a centímetros de sua cabeça.

"Toda a minha solidariedade à companheira @CFKArgentina, vítima de um fascista criminoso que não sabe respeitar divergências e a diversidade. A Cristina é uma mulher que merece o respeito de qualquer democrata no mundo. Graças a Deus ela escapou ilesa", tuitou Lula.

"Que o autor sofra todas as consequências legais. Esta violência e ódio político que vêm sendo estimulados por alguns é uma ameaça à democracia na nossa região", acrescentou.

ATENTADO À DEMOCRACIA

O presidente do Senado e Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), se juntou a lula na solidariedade com Cristina Kirchner e afirmou que esse tipo de ataque é também um atentado contra a democracia.

"Chocante a imagem da tentativa de assassinato da vice-presidente argentina, Cristina Kirchner. A violência na política é um atentado à integridade, à vida das pessoas e também à democracia. Toda minha solidariedade à vice-presidente, a seus familiares e ao povo argentino", escreveu Pacheco no Twitter.

(Por Ricardo Brito e Alexandre Caverni; Reportagem adicional de Maria Carolina Marcello)