ZONA ELEITORAL-No debate da TV Globo, até Bonner usa "direito de resposta"

Bolsonaro e Lula em debate da TV Globo

(Reuters) - No debate da TV Globo na noite desta sexta-feira, até o apresentador William Bonner usou uma espécie de direito de resposta, provocado pelo presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL).

O mandatário disse que seu adversário, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), só havia sido inocentado por Bonner, e não pela Justiça, citando processos de corrupção enfrentados pelo petista.

Foi uma referência à entrevista de Lula no Jornal Nacional, quando Bonner mencionou que o ex-presidente não devia mais nada à Justiça porque seus processos, no âmbito da operação Lava Jato, foram anulados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O apresentador da TV Globo repetiu isso no final do primeiro bloco do debate.

O antagonismo com Bonner faz parte da mensagem de Bolsonaro de que é um político perseguido pelo sistema e pela mídia tradicional.

"FICA AQUI" X "NÃO QUERO"

Durante o debate, Bolsonaro tentou intimidar Lula chamando o adversário para ficar perto dele no palco, mas o petista recusou. "Fica aqui, rapaz!", disse o presidente. "Não quero ficar perto de você, não quero ficar perto de você!", respondeu Lula.

No debate anterior entre os adversário no segundo turno, exibido pela Band, Bolsonaro chegou a colocar a mão no ombro de Lula ao adotar a mesma estratégia para pedir que o rival ficasse perto dele no palco.

Antes do debate começar, Lula estudou bastante a posição das câmeras para saber onde se posicionar melhor durante o confronto.

MORO

Bolsonaro conversou bastante antes do debate com seu ex-desafeto e atual aliado Sérgio Moro. O ex-juiz da Lava Jato, que se elegeu senador na eleição deste ano e declarou apoio a Bolsonaro no segundo turno, tem ajudado Bolsonaro nos debates principalmente em relação ao combate à corrupção -- um dos principais temas usados pelo presidente para atacar Lula.

Depois de passar 580 dias preso condenado por corrupção no âmbito da Lava Jato, Lula atualmente não deve nada à Justiça, uma vez que suas ações foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que viu parcialidade de Moro nos processos.

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier, Lisandra Paraguassu, Ricardo Brito e Flávia Marreiro)