Zoológico do Rio tem previsão de reabertura para julho com 'aventura selvagem' e piscina para elefantes

Leticia Lopes
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Na Aventura Selvagem, visitante vai poder passear pela passarela ou em um barco

A tradicional estátua do Macaco Tião, parada obrigatória de crianças e adultos na entrada do Jardim Zoológico do Rio, não recebe mais operários e visitantes que chegam ao parque que passa por obras desde dezembro de 2018. A ausência do monumento é temporária, garante a administração do hoje BioParque do Rio, na Quinta da Boa Vista: a escultura em latão está passando por restaurações e deve voltar ao seu lugar de direito para a reinauguração do zoológico, prevista para julho deste ano.

Na nova formatação do parque, os 417 animais de 107 espécies — 47 delas em extinção na natureza — ficarão em áreas mais extensas que as anteriores. Outros cerca de 400 animais ficarão em setores reservados para pesquisa científica. O zoológico também vai contar com um projeto de preservação dos guarás, espécie de ave que não é vista na Baía de Guanabara desde o início do século passado. Os animais devem ser reintroduzidos na Área de Proteção Ambiental de Guapimirim.

— A proposta é que não serão 100% dos animais expostos à visitação. Parte deles estarão focados em reprodução, às vezes, ou em algum trabalho de estudo — explica Fernando Souza, diretor institucional do Grupo Cataratas, que também administra o AquaRio, na Zona Portuária do Rio.

A área das aves, com dois mil metros quadrados, terá mais de 220 animais de 50 diferentes espécies, representantes de biomas como Amazônia, Mata Atlântica e Cerrado. Na entrada da área, a escultura de uma harpia de 4 metros dá as boas-vindas. A ave de rapina de verdade, no entanto, ficará inicialmente na área de pesquisa do parque, e só deve ser incorporada ao setor de visitação no futuro.

Com vista para o Museu Nacional, a "Aventura Selvagem" é cortada por uma passarela de 350 metros de extensão. Lá embaixo, ficarão os representantes da fauna do continente africano, como hipopótamos, zebras e lêmures. O ponto mais alto da estrutura, com 10 metros, vai permitir a passagem das girafas: ainda não se sabe quantas virão para o Rio, numa parceria com a Universidade de Pretória, na África do Sul. A grande operação logística para a viagem dos animais deve acontecer nos próximos meses. 

O "safári" ainda vai contar com um passeio de barco. Serão 8 embarcações estilizadas, cada uma com capacidade para nove pessoas e acessibilidade para cadeira de rodas.

Já na área dos animais asiáticos, um tanque de 312 mil litros será construído para que as elefantas Carla e Coala possam se refrescar. Uma parede transparente vai possibilitar aos visitantes observar os animais na água de maneira privilegiada. A área onde as duas vivem atualmente tem 800 metros quadrados, e será aumentada em cerca de dez vezes.

Durante as obras, cerca de 30 mil artefatos arqueológicos foram localizados na área do zoológico, que fica bem ao lado do Museu Nacional. Um escaner chegou a ser contratado para "mapear" a região, onde foram localizados vestígios de construções, como uma cavalariça, uma senzala e prédios militares. Também foram encontrados objetos como azulejos, louças, talheres e até botões de roupas. Todos os resquícios históricos serão incorporados em uma exposição permanente em um dos prédios da entrada do zoológico.

— Como estamos em uma áre vizinha do Museu Nacional, tivemos essa preocupação em identificar se havia sítios históricos aqui, e tivemos um trabalho muito intenso com o Instituto do Patrimônio Artistico e Histórico Nacional (Iphan). A partir do momento que identificamos esses locais tivemos o cuidado de fazer escavações preliminares e outros o Iphan pediu que fosse preservado, como é o caso do sítio entre a área dos répteis — explica Souza.  

Desde o fim de 2018, cerca de 350 operários trabalham diariamente nas obras. Em novembro do ano passado, o parque fechou totalmente para a fase final das intervenções. Quando tudo estiver pronto, 150 profissionais atuarão no funcionamento do BioParque, incluindo áreas técnicas e de atendimento ao público. Ao todo, os custos da obra giram em torno de R$ 80 milhões, dos quais mais da metade já foram usados.

O zoológico do Rio ocupa uma área de 130 mil metros quadrados, mas a área que passa por intervenções há quase dois anos e deve ser entregue daqui a cinco meses tem cerca de 70 mil metros quadrados. As intervenções na área restante, onde ficarão os animais aquáticos e felinos, devem ser concluídas até o fim do ano.  

Enquanto o parque não é reinaugurado, parte dos animais estão na área que ainda não passou por obras, como o leão Simba e as elefantas Carla e Coala. Outros animais estão em instituições parceiras em outras cidades, como o zoológico de Volta Redonda, no Sul Fluminense, e no parque Beto Carrero World, em Santa Catarina.